Cordelirando...

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Neste blog você encontrará alguns cordéis de Salete Maria, bem como notícias acerca de sua produção e seu diálogo com outros artistas
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Lugar de Mulher, recitado por Salete Maria

sábado, 24 de agosto de 2019

Cordel de Salete Maria recitado em Escola de Juazeiro do Norte - CE


A Escola João Alencar de Figueirêdo, em Juazeiro do Norte - Ceará conta com um projeto de autoria do professor de História, Antonio figueiredo, intitulado "Beata Maria de Araújo: um contexto de milagre".
Em uma ação interdisciplinar, a professora de Português Isabel Emanuela (9° ano do Ensino Fundamental II)  e suas alunas Bianca, Beatriz, Jeniffer, Evânia e Kaylane apresentaram com bastante emoção o cordel "Maria de Araújo e seu Lugar na História - ou a Beata Beat Cult, de autoria da nossa cordelista Salete Maria.
A Equipe Cordelirando parabeniza a professora, as alunas e demais envolvidos neste projeto de tamanha grandeza que faz com que os estudantes aprendam, vivenciando, sobre as personalidades da nossa região, mormente visibilizando aquela que foi, de fato, a verdadeira protagonista do milagre da transubstanciação da hóstia. Maria de Araújo merece todas as homenagens, principalmente em um trabalho assim, feito com tanto esmero!

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Terceirizados Ficam


Só quem sabe o que é viver
Com medo de demissão
Saberá compreender
A triste situação
De quem vive ameaçado
De ficar desempregado
Sem qualquer explicação

É assim que se encontram
Os nossos terceirizados
Cujos avisos apontam
Quem já está descartado
Como um papel que se usa
Por quem come e se lambuza
E sai sem olhar pro lado

Sabemos que está barril
Os cortes nas federais
E que é grande o desafio
Para quem a gestão faz
Mas demissões sem critério
É algo mais do que sério
E que nos rouba a paz

E não só basta dizer
Que é culpa de Bolsonaro
Esse governo infame
Escroto e sem preparo
Pois se o corte está na mesa
Quem demite é a empresa
De um jeitinho nada claro

Há jovens recém paridas
E arrimo de família
Todas sendo preteridas
E outras tão na vigília
Sem saber o que fazer
Ou para quem recorrer
No meio dessa quezília

Trabalhadores antigos
Prestes a se aposentar
Estão entre os demitidos
Que lutam para ficar
Mulheres, em maioria
Negras, de periferia
Sem saber com quem contar

No prédio onde eu trabalho
A coisa é bem surreal
Só pode ser ato falho
(Do contrário foi por mal)
Pois só tem uma zeladora
E esta foi pra tesoura
Do corte empresarial

São decisões arbitrárias
Sem diálogo ou consenso
Medidas cheias de falhas
Que apostam no silêncio
Sobre o modus operandi
Desta injustiça grande
Tatuada num estêncil

Eis o quadro atual
De demissão e estresse
Respeito é um bom sinal
E também não adoece
O jogo é malicioso
(2015 de novo???)
E lucro sempre acontece

Mas a UFBA tem história
De luta e resistência
E não perdeu a memória
E tampouco a sapiência
E não engole esse regue
Aqui não há quem se entregue
Sem lutar com consciência

Defesa da educação
É a bandeira da hora
Nenhuma luta é em vão
E ninguém fica de fora
A batalha é coletiva
A ciência é afetiva
E a resistência é agora

Não há Universidade
Sem justiça social
E toda iniquidade
Convoca intelectual
A brigar por transparência
Por compromisso e decência
Em nível contratual

Que todos possam saber
O que está acontecendo
Que ninguém venha a sofrer
Mais do que já está sofrendo
Que ponham as cartas na mesa
Com lucidez e franqueza
Conforme estamos querendo

Que a empresa entenda
Que somos comunidade
E que de uma vez aprenda
Que a di-a-lo-gi-ci-da-de
É o cerne da educação
E que o ser humano não
Se descarta, em verdade

Por isso acreditamos
Que é possível solução
Dentro da legalidade
E com muita reflexão
Onde as alternativas
Que devem ser positivas
Certamente surgirão

Que sejam então revogadas
Todas estas demissões
Que sejam feitas rodadas
De renegociações
Que todos possam falar
E a quem mais frágil está
Mais respeito e mais ações

Assim termino meu verso
Com rimas que frutificam
Pode até ser controverso
Mas os termos reivindicam
Que sejamos mais prudentes
Pois se formos includentes
Os TERCEIRIZADOS FICAM!

Cordel de Salete Maria, 10/07/2019

domingo, 24 de fevereiro de 2019

PORQUE TODO NÃO É NÃO

Se vai curtir carnaval
É bom se orientar
Pra festa não acabar mal
E você ter que parar
Nalguma delegacia
Longe de toda folia
Para se ver processar

É que agora existe lei
Contra assédio na rua
Não vale dizer "já sei"
E seguir sentando a pua
Beijando sem anuência
Pegando sem ter licença
Achando que a mina é sua

Corpo nenhum lhe pertence
A não ser que seja o seu
Portanto pare e pense
E veja se entendeu
Se a gata disser que não
E você passar a mão
O crime já ocorreu

A lei a todos protege
Contra a importunação
Mas sobretudo mulheres
Em face da opressão
Da ordem patriarcal
Que mesmo sem carnaval
Não perde a ocasião

Seja dentro do buzu
Ou nas ruas da cidade
Seja em corpo seminu
Ou símbolo de castidade
Elas não suportam mais
E todas exigem paz
Pra andar com liberdade

Então não ouse encoxar
Nem puxar pelos cabelos
Não se atreva a beijar
Ou mesmo ir dando selo
Sem saber se ela quer
Pois ninguém se faz mulher
Pra satisfazer desejo

E o ato libidinoso
Pode se tornar estupro
Deixe de ser pegajoso
Achando que tá no lucro
Se ela disser que não
Evite ir pra prisão
Já que a lei tem este fulcro

Com pena de um a cinco
Aninhos de reclusão
A justiça, com afinco
Não dará brechinha não
Pois sequer cabe à mulher
Decidir se ela quer
Que se impetre a ação

Portanto, tome cuidado
Não importune ninguém
E colega ou agregado
Não estão livres, meu bem
Pois se não tem anuência
Com ou sem 'a violência'
Vão pro xilindró também

E se um grupo estuprar
E/ou divulgar as imagens
A mesma lei vai pegar
E botar na carceragem
Com penas bem aumentadas
Conforme tipificadas
Nos termos desta mensagem

É bem melhor evitar
Do que pagar para ver
Pois não vale se gabar
Achando que tem poder
Porque é dever do Estado
Ser firme e equipado
Para a mulher proteger

Lei por si só não transforma
Cultura patriarcal
Mas é bom de qualquer forma
Divulgar no carnaval
Pois o momento convém
Pra que na rua também
O machismo se dê mal

Mas paralelo a isto
Cabe fazer prevenção
Com orçamento previsto
No campo da educação
Porque sem a igualdade
no campo e na cidade
Violência não cessa não

Encerro aqui meu recado
Ao 'pacato cidadão'
E o mesmo está enviado
Aos agentes de plantão
Respeitem toda mulher
E ouçam o que ela disser
Porque todo não é não!

Salvador, 24/02/2019
Salete Maria


Imagem: Google Imagens

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

EU VOU ELEGER MARINA PRESIDENTA DO BRASIL



EU VOU ELEGER MARINA
PRESIDENTA DO BRASIL

Nosso país tá sofrido
Cambaleante e febril
E nosso povo aguerrido
Já não suporta o ardil
Para mudar nossa sina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Basta de corrupção
De bala, tiro e fuzil
Pois para unir a nação
É preciso ser gentil
Com velha, moça e menina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Em prol de mais igualdade
Contra o machismo senil
E o racismo covarde
Que avança de modo vil
Honrando a mãe campesina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Em prol duma economia
Que não mira só barril
E duma cidadania
Que não seja senhoril
Mas ampla e cristalina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Para que a educação
Não forme mente servil
E não leve à exclusão
Ou ao ódio incivil
Que espalha toxina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil 

Por um desenvolvimento
Que invista no fabril
Porém sem desmatamento
Ou jogo escorregadio
Contra roubo e propina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

 Por mais emprego e renda
Que mude o atual perfil
E que aqueça a venda
Da bodega ao mercantil
Sob o sol ou a neblina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Pelo fim das violências
E do abuso infantil
Por mais pesquisa e ciência
Para enfrentar desafio
Pela força feminina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Por mais arte e cultura
E mais diálogo sadio
Pelo fim dessa loucura
Que no país emergiu
Polarizando a retina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Por saúde e segurança
E moradias a mil
Para levar esperança
A quem quase sucumbiu
Diante da jogatina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Por apoio à agricultura
E ao negócio que surgiu
No lar duma criatura
Que o desemprego atingiu
Para animar quem se anima
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Por justiça social
Sem cortes a sangue frio
Por igualdade real
Conforme o povo pediu
Pela paz que ilumina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Para que a diversidade
Que tanto se oprimiu
Tenha valor de verdade
E não discurso vazio
Para que seja rotina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Por uma nova maneira
De gerir sem ser hostil
Pra que toda brasileira
Que o racismo agrediu
Se orgulhe de Carolina
Eu vou eleger Marina
Presidenta do Brasil

Cordel de Salete Maria
Salvador-BA, 05/09/2018