Cordelirando...

terça-feira, 16 de julho de 2013

Um poema para ORLANDO

Saudosa pela partida do amigo ORLANDO PEREIRA para um outro plano espiritual, Salete Maria faz emocionado e emocionante poema:

Orlando tinha um sorriso
Tão grande quanto o universo
Seu olhar era um aviso
De que tudo é controverso
Só de amigos tinha um bando
Levou a vida sonhado 
Sempre nas lutas imerso

Era um ser de luz intensa
De carinho e de paixão 
Um artista de presença
Ativista de montão
Profissional dedicado
Socialista engajado
Filho, amigo, irmão

Uma pessoa adorável
Sensível, linda, marcante
Um garoto inigualável
Fiel, sincero, elegante
Honesto, franco, leal
Humorado sem igual
Amado e também amante

Orlando era um sujeito
Criador e criativo
Trazia o sol no peito
Fulgurante e altivo
Sua energia era boa
Sua vida não foi à toa
Segue para sempre vivo

Saudades, Salete Maria
 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

MANIFESTO PELAS MÃES TRABALHADORAS

Minha mãe trabalha muito
Faz coisas que ninguém faz
Da madrugada à noitinha
Ela batalha demais
Cuida, resolve, alimenta
Limpa, guarda, incrementa
E ainda proclama a paz

Minha mãe há muitos anos
Não para um só segundo
É pau para toda obra
Seja no raso ou no fundo
Ela está sempre ajudando
Protegendo e ensinando
A melhorar este mundo

Minha mãe tem muitos filhos
E muitos netos também
Por isso ela ora muito
Porque dinheiro não tem
Para pagar tanta conta
Então ela fica tonta
Esperando o mês que vem

Minha mãe trabalha em casa
E também fora do lar
Ela labora calada
Sem jamais se lamentar
Acho que está cansada
Pois não é fácil a jornada
Que ela tem que enfrentar

Por isto que eu me zango
E não canso de dizer
Minha mãe não é escrava
Pra ralar até morrer
Portanto tem que mudar
Todos tem que se engajar
Em tudo que há pra fazer:
  
Vamos lavar nosso prato
Tênis, camisa e calcinha
Arrumar o nosso quarto
E regar nossa plantinha
Vamos evitar sujar
Ou então vamos limpar
A sujeira da cozinha

Colocar lixo pra fora
E ajeitar o quintal
Deixar a sala bonita
E preparar o mingau
Lavar calçada e banheiro
E economizar dinheiro
Etecetera e coisa e tal

Marido, filho e agregado
Neto, nora e visitante
Chega de exploração!
Acabem neste instante
Com essa velha mania
De sugar a energia
De minha mãe-tolerante

Tenham vergonha na cara
Deixem dessa opressão
Minha mãe é jóia rara
Pra viver lambendo o chão
Quero vê-la descansando
Passeando, proseando
Curtindo a vida então

Vocês todos ficam putos
Com político ladrão
Mas roubam até o sangue
Daquela que faz o pão
O arroz e a salada
A farofa, a carne assada
E o doce de mamão
   
Nem mesmo aquela loucinha
Vocês  ajudam lavar
Vocês pensam que mamãe
Nunca vai se enferrujar?
Um dia ela vai embora
Ou porque chegou a hora
Ou porque ela quer voar!

Se  exploração materna
Para vocês  é normal
Explorar outras mulheres
Será o seu manual
De regra de convivência
Que, com ou sem consciência,
Semearão, afinal

Então se você  tem mãe
E também tem consciência
Não explore, não oprima
Nem pratique violência
Mi hermana,  mi hermano
Mãe também é ser humano!
Até logo, tchau e bença!

Autora: Salete Maria, maio/2012

Imagem: Google Imagem

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cordel feito para as Mães de Maio



Mães de Maio: dor e luta!
 
Mães de maio são mulheres
Que lutam pela Justiça
Metendo suas colheres
Nos malfeitos da polícia
Exibindo para o mundo
O resultado imundo
Deste Estado-milícia

São guerreiras incansáveis
Que abrem seus corações
Tristes e inconsoláveis
Contra novos esquadrões
Que em plena democracia
Causam morte e agonia
De imensas proporções

São senhoras combativas
Diversas e populares
Que exercem voz ativa
E ocupam seus lugares
Na luta cotidiana
Contra a polícia tirana
Que executa milhares

São o rosto da coragem
Deste Brasil desigual
Traduzem bem a imagem
Desta guerra desleal:
Cidadão versus Estado
De terror banalizado
E impunidade total

São elas progenitoras
Das vítimas do poder
Da polícia opressora
E da justiça que não vê
Jovens da periferia
Na mira da covardia
Marcados para morrer

São a vanguarda da luta
Contra o Estado assassino
Que tantas vidas encurta
Com seu sistema cretino
Onde jovens inocentes
Tidos como delinquentes
Tem a morte por destino

São grandes protagonistas
Do combate ao genocídio
Que salta à nossa vista
Travestido de homicídio
Em autos de resistência
Cheios de incoerência
E sem qualquer subsídio

São elas quem, no Brasil,
No ano dois mil e seis
Nesta “pátria mãe gentil”
Quando maio era o mês
Tiveram a vida mudada
Pela mais triste jogada
Que as fez “bola da vez”

Quando brigas intestinas
Entre gangues estatais
Ilegais ou genuínas
Porém entre maiorais
Expôs a ferida aberta
São Paulo ficou alerta
E o povo sofreu demais

Quando a polícia saiu
Pelas ruas da cidade
E o horror emergiu
Entre discurso e maldade
Pacatas donas- de-casa
Tiveram que criar asa
Contra a impunidade

Pois em torno de dez dias
Mais de 500 morreram
Em verdadeiras sangrias
Muitos jovens pereceram
Negros eram maioria
Dos pobres que ali havia
Quantos desapareceram?

Assim como noutros tempos
Da historia brasileira
A polícia deu exemplos
De sua face carniceira
Fingindo combate ao crime
Jogou pelo mesmo time
Das práticas justiceiras


Ceifou vidas joviais
Violou direitos humanos
Causou dores maternais
Trouxe choro e desengano
Gerou feridas  eternas
Donde brota  força interna
Para lutar ano a ano

Mulheres que geram vidas
Que dão amor e cuidado
Levantam-se doloridas
Para exigir do Estado
Apuração eficaz
Justiça, verdade e paz
Nenhum processo arquivado!

Déboras e Ednalvas
Veras, Angelas, Marias
Flávias, Ritas e Rosalvas
Francilenes e Sofias
Mães de Maio, lutadoras
Todas são merecedoras
Desta singela elegia.


Autora: Salete Maria
Salvador-BA, 2012.

segunda-feira, 12 de março de 2012

CONVITE!



A Coletânea Cordelirando, da qual falamos no post anterior, já tem data, hora e local certinhos para ser lançada! Se você mora em Salvador, fica a dica de um programaço, com a presença da Cordelista Salete Maria e tudo mais!

Se você não mora em Salvador mas, assim como eu, quer demais a bolsinha linda decorada com fuxico e os nove cordéis de Salete, entra em contato comigo aqui pelo blog ou me manda um email: sammyra_santana@hotmail.com e coloque no assunto: Cordelirando. Aí conversaremos sobre a forma de pagamento (tá baratinho, gente, vinte reais) e, se quiser, ainda dou um jeito de ir autografado! rsrs



Alô você que mora em Salvador!

Neste sábado dia 17, às 13h, na loja de discos 
Pérola Negra, no bairro do Canela, acontece o lançamento 
da coletânea Cordelirando: mulher também faz cordel, 
da cordelista Salete Maria da Silva. 

A compilação Cordelirando: mulher também faz cordel 
contém nove folhetos da cordelista, 
DVD com um dos títulos musicado e um 
ensaio sobre a literatura de cordel no Brasil. 

Outro destaque, volta-se para o encarte: 
uma bolsinha de tecido decorada com fuxicos e 
serigrafia que materializa o fazer artesanal 
que tão bem caracteriza a criatividade nordestina

Neste dia, a cordelista Salete Maria irá recitar
alguns cordéis que versam por temas como
religiosidade popular, sexualidades, violência
e atuação política das minorias representadas no país.

O valor da bolsinha com DVD custa R$ 20,00. 

Vamos celebrar a cultura regional, minha gente!!

sábado, 3 de março de 2012

NOVIDADES QUENTINHAS!

Está saindo do forno uma coletânea de nove cordéis de Salete Maria, incluindo um DVD com um dos títulos musicados! E tudo vem numa bolsinha muito linda (e útil, rs)!
Já quero garantir a minha, e você?
Veja o release do projeto de Gal Meirelles sobre os cordéis de Salete Maria:

Cordelirando: mulher também faz cordel

A coletânea Cordelirando: mulher também faz cordel é composta por nove folhetos da cordelista Salete Maria da Silva, um DVD com dos títulos musicado e um ensaio sobre a literatura de cordel no Brasil. Na história desta literatura no país, a produção feminina é minoria, tornando-se menos conhecida e estudada. Por sua vez, esta coletânea destaca a produção da cordelista Salete Maria e apresenta títulos que versam sobre a vida e ação das mulheres. Além disso, destaca temas como religiosidade popular, sexualidades, violência e atuação política das minorias sub representadas no país. Nesta coletânea, por meio da leitura e da audição, o leitor-ouvinte vai deparar-se com a cultura popular nordestina a partir do contato com uma voz narrativa que propõe discussão de um discurso universalizante sobre temas que abrange o ser humano nos mais diversos contextos. A voz narrativa propõe borrar os discursos históricos e culturais que se institui como hegenômicos para instalar outras alternativas no campo da temática e da estrutura do cordel tradicional. Outra especificidade da coletânea é o encarte: uma bolsinha de tecido decorada com fuxicos e serigrafia que materializa o fazer artesanal que tão bem caracteriza a criatividade nordestina.


O que: Coletânea Cordelirando: mulher também faz cordel
Cordéis: Salete Maria da Silva
Organização: Gal Meirelles
Produção: Gal Meirelles e Salete Maria da Silva
Assessoria de comunicação: Nerivaldo Góes – (71) 9173-0539
Edição: Vento Leste Gráfica e Editora
Contato: (71) 9966-9097 / (71) 9174-6940
www.cordelirando.blogspot.com



Fotos desta postagem: Gal Meirelles